Analistas revisam projeções para a WEG (WEGE3) após divulgação do 1T26; entenda

Após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da WEG (WEGE3), que reportou lucro de R$ 1,46 bilhão, mas com queda anual de 5,7%, os analistas do mercado financeiro optaram por ajustar significativamente as estimativas para a companhia até o final de 2026.
Os relatórios de bancos de investimentos indicam que a empresa atravessa um período de incertezas, especialmente após uma queda de 1,3 p.p. (ponto percentual) em suas margens brutas consolidadas.
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O cenário atual sugere um potencial de valorização mais limitado, com preços-alvo ficando entre R$ 46,00 e R$ 48,00. Segundo os relatórios, as revisões para baixo no lucro por ação refletem um contexto macroeconômico mais complexo, com o mercado monitorando de perto a compressão da rentabilidade operacional.
Pressão cambial e nas margens
De acordo com o relatório do JPMorgan, um dos principais entraves é a valorização do real frente ao dólar, que prejudica as receitas que chegam do exterior. Como a organização possui forte exposição internacional, a variação cambial impacta diretamente o Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Os analistas do JPMorgan reiteram a recomendação neutra sobre as ações da WEG, refletindo incertezas a respeito das margens para os próximos trimestres. Além disso, eles afirmam que “o principal detrator foi a margem bruta, que caiu 1,3 p.p. sequencialmente, impactada negativamente pelo câmbio”, diz o documento.
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O banco reduziu suas estimativas de lucro líquido para o período entre 2025 e 2027 em uma média de 5%, citando a pressão de custos e a moeda.
Além do câmbio, o aumento nos custos de matérias-primas e maiores despesas com pessoal têm pressionado os resultados. Segundo o Itaú BBA, essas contratações foram feitas para preparar a operação de T&D (Transmissão e Distribuição) para uma nova fase de expansão em 2027.
“As margens devem permanecer sob pressão devido a maiores despesas com pessoal relacionadas à expansão de capacidade e menor alavancagem operacional”, afirma o relatório do Itaú BBA.
A instituição projeta que tanto o segundo quanto o terceiro trimestre de 2026 devem registrar quedas anuais nos lucros, o que continua a pressionar os papéis da companhia na bolsa.
Desafios no mercado doméstico
O segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição) doméstico também apresenta sinais de fraqueza, segundo relatório do BBA, uma vez que a demanda por projetos de energia solar diminuiu drasticamente e o mercado não vê sinais de uma inflexão positiva imediata para equipamentos industriais.
“O EEIE (Equipamentos Eletrônicos Industriais) doméstico não mostra sinais de recuperação da demanda, com investimentos limitados pelo ambiente macro atual”, dizem os analistas do Itaú BBA. O banco acredita que a falta de catalisadores internos e o momentum limitado de ganhos devem persistir.
O adiamento de leilões estratégicos, como o de BESS (Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias) para 2027 removeu gatilhos de crescimento. O JPMorgan reforça que o primeiro trimestre de 2025 marcou o pico da contribuição solar, criando uma base de comparação difícil.
O relatório do JPMorgan também alerta para os riscos de uma economia global mais fraca. Como a WEG gera 60% de suas receitas no exterior, sendo metade desse volume proveniente dos Estados Unidos, qualquer desaceleração na atividade americana atinge diretamente o balanço da companhia.
Valuation
A avaliação de ativos (valuation) atual é considerada alta, negociando em patamares que já incorporam o prestígio histórico da marca. “Vemos este valuation como exagerado, uma vez que a WEG deve entregar em 2026 um crescimento de Ebitda e lucros abaixo de seus níveis históricos”, diz o relatório do JPMorgan.
A análise do Morgan Stanley ressalta que, embora permaneça à margem no curto prazo, a empresa é uma beneficiária direta do superciclo global de eletrificação. A demanda vinda de centros de processamento de dados e inteligência artificial deve sustentar a tese no futuro.
“Embora reconheçamos que a WEG deva se beneficiar do superciclo de transformadores, permanecemos à margem, pois vemos um upside limitado para o nosso preço-alvo”, avalia o Morgan Stanley.
Além disso, o Morgan Stanley observa que a WEG negocia atualmente com um desconto de 11% em relação aos pares globais, contra um prêmio histórico de 45%. Mesmo assim, o banco prefere manter a cautela diante da falta de gatilhos imediatos para o preço das ações.
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