Anvisa aprova Mounjaro para tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (22) o uso de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes com idade entre 10 e 17 anos. Esse é o primeiro e único medicamento da classe de agonistas dos receptores GIP/GLP-1 aprovado para uso em pacientes pediátricos com a condição no país.
“Crianças e adolescentes com essa condição enfrentam uma doença de progressão mais veloz do que em adultos, e as opções disponíveis até hoje frequentemente apresentavam limitações para controlar adequadamente os níveis glicêmicos. Mounjaro chega como uma resposta inovadora, com eficácia robusta e perfil de segurança bem estabelecido, para transformar a jornada do cuidado dessa população, que por conceito, é mais vulnerável”, destaca Luiz André Magno, diretor médico sênior da Lilly.
O diabetes tipo 2, historicamente associado à vida adulta, tornou-se uma epidemia silenciosa entre crianças e adolescentes brasileiros. O Brasil figura entre os dez países com maior número de casos de diabetes tipo 2 na faixa etária pediátrica no mundo.
Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes estimam que cerca de 213 mil adolescentes vivam com a condição no país, com outros 1,46 milhão em situação de pré-diabetes. Esse aumento está diretamente associado à epidemia de obesidade infantil: atualmente, um em cada três adolescentes brasileiros tem excesso de peso, e estima-se que cerca de um terço das novas crianças diagnosticadas com diabetes apresentem o tipo 2 da doença.
A aprovação da Anvisa é baseada nos resultados de um estudo clínico de fase, publicado em setembro de 2025 na revista científica The Lancet. O tratamento conseguiu reduzir a hemoglobina glicada, em comparação ao placebo em 30 semanas. Em um desfecho secundário, 86,1% dos participantes para a dose de 10 mg de Mounjaro atingiram a hemoglobina glicada alvo de menor ou igual a 6,5%.
Além disso, a maior dose avaliada de 10 mg de Mounjaro reduziu o IMC (índice de massa corporal) em 11,2% em média em 30 semanas. As melhorias na hemoglobina glicada e as reduções no IMC continuaram por 52 semanas na extensão de longo prazo do estudo.
Os eventos adversos mais comuns foram em especial gastrointestinais transitórios, como diarreia, náusea, vômito, dor abdominal superior e dor abdominal. Esses eventos adversos relacionados ao trato gastrointestinal foram todos de intensidade leve a moderada e ocorreram principalmente durante o escalonamento da dose.
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