Após “pior ano da história” , resultados do Banco do Brasil voltarão “ao normal”?

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Após “pior ano da história” , resultados do Banco do Brasil voltarão “ao normal”?

A administração do Banco do Brasil (BBAS3) promoveu seu dia do investidor nesta quinta-feira (23). O “BB Day” trouxe planos estratégicos do banco e também atualizações sobre o segmento de agronegócios, principal tema de preocupação para analistas e investidores nos últimos trimestres.

Em mais de uma ocasião durante a manhã da quinta, 2025 foi descrito como “pior ano da história” do banco, pela inadimplência recorde do agro. Segundo a CEO do banco, Tarciana Medeiros, as mudanças implementadas para reestruturação do crédito em 2025 apenas afetarão plenamente os resultados do banco no ciclo 2026/27.

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Mesmo com a leitura de o evento mostrou o fundo do ciclo de crédito, em especial no agronegócio, aconteceu em 2025, os resultados ainda levarão algum tempo para normalização, que acontecerá de forma gradual, na análise do Bradesco BBI.

Já o JPMorgan considera que o exposto no BB Day não foi suficiente para melhorar a visão sobre ponto de inflexão do ciclo de crédito no agronegócio, pela visibilidade ainda limitada. A casa vê o papel ainda como “neutro”, com lucro por ação em 2026 em R$ 20,6 bilhões (-11% do consenso da Bloomberg). A métrica foi reduzida em 14% ante a projeção anterior e fica no mesmo patamar observado em 2025, representando “crescimento zero” na comparação anual.

“A principal mensagem do evento é que 2026 (e, em particular, o primeiro semestre de 2026) não será um ano fácil. Não chega a ser uma surpresa total, mas consideramos negativo ouvir da gestão que a recuperação do agronegócio pode ter um formato em “W” mais longo, em vez de uma recuperação rápida em “V”.”, afirma o JPMorgan.

Recalibragem

O tom da gestão foi considerando como cauteloso e realista, com destaque para a fala de Tarciana Medeiros, presidente do BB, que caracterizou 2026 como ano de reestruturação e recuperação gradual, com começo de ano ainda desafiador. 2025, por sua vez, foi descrito como o “pior ano da história do banco”.

“Importante notar que a gestão também reconheceu que ainda levará tempo até que a melhoria na originação/underwriting de crédito se converta em lucros, reforçando assim uma visão conservadora para o curto prazo”, afirma o BBI.

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A administração destacou o alto nível de provisionamento, dos R$ 800 milhões usuais para o o agro para R$ 8 bilhões e elevações também no consolidado. Como reação e em busca de retomada de equilíbrio anterior, o banco afirmou estar em processo de “recalibragem” de modelos de crédito, tanto apertando critérios quanto aumentando a exigência de garantias reais.

Na análise do Bradesco BBI, todo o cenário apresentado não indica uma normalização rápida, em especial porque safras legadas ainda dominam vencimentos de curto prazo. Ainda em abril de 2026, os vencimentos refletem o antigo processo de crédito, com 80% ainda como parte do processo anterior e só 20% dos créditos originados na nova estrutura.

Outro ponto destacado foi a queda de pontualidade de pagamentos para 92% em 2025, frente a 99% em 2023. A administração projeta recuperação para 95% em 2026, ainda abaixo de seus padrões históricos.

Mais riscos para o agro

Outro risco apresentado para retomada do crédito do agronegócio nos patamares dos últimos anos é o potencial impacto da guerra do Irã sobre os custos de fertilizantes. Segundo analistas da casa, os efeitos sobre a inflação também podem tornar o cenário mais desafiador que o anteriormente esperado.

“A inflação de insumos continua sendo um risco-chave. A gestão destacou que os preços de fosfato e ureia subiram cerca de 80% desde o início da guerra, movimento que já está incorporado nos modelos de crédito. Como a maior parte das compras de insumos ocorre entre junho e julho, a eventual não normalização dos preços poderá comprimir ainda mais as margens dos produtores, aumentar a necessidade de refinanciamento e atrasar a normalização do crédito”, afirma o BBI.

O JPMorgan destacou também que banco está monitorando o El Niño, que pode ser um risco para 2027 (tipicamente associado a maior risco de seca em algumas regiões do Brasil), mas, historicamente, a produtividade nacional ou o índice de inadimplência (NPL) não é, em média, significativamente afetado (isto é, os impactos costumam se concentrar em algumas regiões, enquanto outras apresentam desempenho melhor).

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