Apple negocia com Intel e Samsung para fabricar chips nos EUA

- A Apple negocia com a Intel e a Samsung para fabricar chips nos EUA, visando reduzir a dependência da taiwanesa TSMC.
- A empresa busca alternativas devido à escassez global de chips e riscos geopolíticos associados à produção em Taiwan.
- A Apple planeja transferir parte da produção para o território americano e já visitou uma fábrica da Samsung no Texas e iniciou conversas com a Intel.
A Apple planeja mais uma mudança nos bastidores, agora na sua cadeia de suprimentos. A gigante da tecnologia teria aberto negociações preliminares com a Intel e a Samsung para fabricar os chips de seus principais aparelhos nos Estados Unidos. A movimentação, revelada nesta terça-feira (5) pela Bloomberg, tem um objetivo claro: garantir alternativas e reduzir a dependência quase exclusiva da sua atual parceira, a taiwanesa TSMC.
De acordo com as fontes ligadas ao assunto, os primeiros passos já foram dados. Executivos da fabricante do iPhone fizeram uma visita recente a uma fábrica da Samsung que está sendo construída no estado do Texas, com foco em componentes avançados.
Em paralelo, a maçã iniciou conversas com a Intel para avaliar se os serviços de fabricação de chips sob encomenda da empresa dão conta do recado. Até o momento, todas as marcas envolvidas se recusaram a comentar o caso oficialmente.
Por que a Apple quer produzir chips com outras empresas?
A resposta envolve dois fatores críticos: falta de peças no mercado global e riscos geopolíticos. Durante a apresentação dos resultados financeiros na última semana, o CEO Tim Cook admitiu que a escassez de chips já está limitando o ritmo de vendas da companhia. Segundo o executivo, a empresa hoje tem “menos flexibilidade do que normalmente teria”, e o tão sonhado equilíbrio entre oferta e demanda ainda deve demorar meses para virar realidade.
Essa crise logística não é culpa apenas do volume gigantesco de vendas da Apple. O verdadeiro gargalo atual foi gerado pelo boom da inteligência artificial, que sugou grande parte da capacidade global de produção de semicondutores.
Além disso, há um alerta vermelho geográfico. Depender de Taiwan é um perigo constante, uma vez que a China reivindica a ilha como parte de seu território. O próprio Tim Cook já avisou internamente que concentrar 60% da produção de componentes vitais em uma única região não é uma estratégia muito sustentável.
Volta da Intel ou acordo com a rival Samsung?
A regra de ouro da Apple sempre foi ter mais de um fornecedor para peças importantes — algo que ela já faz com telas e baterias, por exemplo. O grande obstáculo, no entanto, é achar companhias que consigam entregar a mesma confiabilidade e escala da TSMC, que hoje reina absoluta na fabricação usando o processo de 3 nanômetros. Fontes indicam que, nos corredores de Cupertino, ainda há um certo receio em apostar nas tecnologias de terceiros.
Ainda assim, fechar um contrato com a Intel representaria um marco histórico. Sob o comando do CEO Lip-Bu Tan, a Intel tenta reerguer sua divisão de manufatura e atrair clientes de peso. Ter a Apple não seria apenas uma vitória comercial gigantesca, mas também o retorno de uma velha parceria: vale lembrar que a Intel forneceu processadores para o Mac de 2006 até 2020, antes de ser substituída pelo Apple Silicon.
Já a Samsung corre por fora como a vice-líder mundial em fabricação de semicondutores e é uma velha conhecida da maçã. A sul-coreana fabricou os processadores das primeiras gerações do iPhone e até hoje fornece outros componentes. Conseguir o contrato daria um fôlego à divisão de chips da Samsung, mesmo com as duas gigantes sendo rivais nas prateleiras de smartphones.
Fábrica da TSMC no Arizona
Vale destacar que a Apple não está abandonando a TSMC. Pelo contrário: a empresa de Tim Cook vem ajudando a financiar a expansão das operações de uma fábrica da fornecedora taiwanesa em Phoenix, no Arizona. A expectativa é de que a Apple receba cerca de 100 milhões de chips vindos dessa instalação ainda em 2026.
O problema? Como destaca o Yahoo Finance, esse volume cobriria apenas uma pequena fração dos dispositivos que a Apple envia às lojas todos os anos. Fica claro, portanto, que a busca da maçã por novas parcerias em solo americano não parece apenas uma sondagem casual.