Barreira da IA leva quase metade dos candidatos a abandonar recrutamento

O que era para facilitar, agilizar e ajudar a atrair e reter talentos está se tornando uma barreira que afasta candidatos de processos seletivos. A adoção crescente da Inteligência Artificial (IA) faz com que 47,3% dos profissionais abandonem processos seletivos devido à falta de confiança, com 36,8% deles apontando o excesso de automação como o motivo principal para a desistência.
Os dados são de um levantamento da Heach Recursos Humanos, empresa especializada em recrutamento e seleção. Segundo o estudo, que ouviu 1.823 respondentes, a triagem automatizada se consolidou como o principal ponto de ruptura nas contratações. Os dados mostram que menos da metade dos candidatos (apenas 48,9%) decide seguir adiante no processo após o contato inicial.
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A desconfiança do mercado de trabalho começa logo na primeira abordagem. A pesquisa revela que 87,6% dos profissionais não confiam em contatos automatizados realizados via WhatsApp, e-mail ou outras plataformas digitais e, diante disso, o engajamento despenca: 39,4% dos candidatos simplesmente ignoram a comunicação e 11,7% tomam a medida drástica de bloquear o canal corporativo.
“O maior risco da inteligência artificial no recrutamento não é excluir pessoas, mas afastá-las antes mesmo de serem avaliadas. Se não há confiança no primeiro contato, o processo praticamente se encerra ali”, analisa Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos.
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Medo de fraudes e fuga de seniores
Para além da impessoalidade, a segurança da informação é um fator de peso na evasão. O levantamento da Heach indica que 29,1% dos candidatos associam processos excessivamente automatizados ao risco de fraude. Como mecanismo de defesa, 41,6% afirmam buscar validação externa — como checar a veracidade da vaga em outras fontes — antes de prosseguir com o envio de dados.
O cruzamento de dados demográficos traz um alerta direto para as empresas que buscam preencher posições estratégicas e de liderança: entre os profissionais com mais de 10 anos de experiência, a resistência à IA nas seleções atinge o pico de 91,2%.
A insegurança com a tecnologia se mostra imune até mesmo à necessidade financeira. O estudo evidencia que, entre os candidatos desempregados, a taxa de abandono do processo sobe para 52,6%. Ou seja, nem a urgência por uma recolocação no mercado é suficiente para superar a desconfiança gerada pelo distanciamento digital.
O desafio do equilíbrio para o RH
A pesquisa deixa claro que a digitalização do recrutamento, embora traga ganhos indiscutíveis de agilidade e eficiência operacional, não foi acompanhada pelo desenvolvimento de uma “jornada de confiança” para o usuário.
Para Teixeira, o cenário atual exige das companhias uma revisão de rotas, apostando em maior transparência e na mescla entre automação e o fator humano para evitar que os melhores talentos fiquem pelo caminho.
“Estamos vivendo uma transição importante no recrutamento. A tecnologia é fundamental para dar escala e velocidade, mas ela não pode substituir a construção de confiança. As empresas que conseguirem equilibrar eficiência com uma experiência mais humana terão mais sucesso em atrair e reter os melhores profissionais”, diz Teixeira.
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