Berkshire inaugura nova fase com primeira assembleia sem Buffett no comando

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Berkshire inaugura nova fase com primeira assembleia sem Buffett no comando

A primeira assembleia anual da Berkshire Hathaway após a saída de Warren Buffett do comando direto marcou uma transição simbólica e física em Omaha.

Em 2026, o evento atraiu entre 25 mil e 30 mil pessoas, uma queda expressiva frente aos mais de 40 mil presentes no ano anterior. Com cadeiras vazias no CHI Health Center e salas de transmissão desertas, o clima entre os investidores foi de nostalgia e adaptação à nova era sob a liderança de Greg Abel.

Embora Buffett estivesse presente na plateia, sua participação foi breve, deixando a condução dos trabalhos inteiramente para seu sucessor. Para os gestores brasileiros Cesar Paiva, da Real Investor, e Pedro Gonzaga, da Mantaro Capital, a ausência do “Oráculo de Omaha” no palco retirou o componente filosófico que tradicionalmente definia o encontro. “Perdeu a magia”, resumiu Paiva, destacando o sentimento de saudosismo entre os veteranos.

Os gestores conversaram com Lucas Collazo, host do podcast Stock Pickers, do InfoMoney. Para eles, a mudança de tom ficou evidente na postura de Greg Abel.

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Enquanto Buffett era conhecido por uma gestão descentralizada e, por vezes, tolerante com subsidiárias, Abel demonstrou um perfil mais rigoroso e operacional. Durante a assembleia, o novo CEO não hesitou em expor slides criticando o desempenho da ferrovia BNSF em comparação aos concorrentes e cobrando maior crescimento da seguradora Geico, que vem perdendo mercado para a Progressive (PGR).

Para Pedro Gonzaga, o círculo de competência de Abel parece mais voltado à eficiência operacional do que à alocação de capital em ações, área onde Buffett brilhou com apostas como Apple (AAPL34).

No entanto, essa maior cobrança por resultados pode destravar valor nas operações já controladas pelo conglomerado. “Ele será mais rigoroso com os executivos, rompendo com a postura anterior”, avaliou Gonzaga, sinalizando uma Berkshire mais focada em métricas de execução.

O recado de Buffett e o legado da Apple

Um dos momentos mais relevantes ocorreu quando Buffett reforçou, via microfone, que a escolha de Abel foi unânime no conselho. O bilionário utilizou o exemplo de Tim Cook na Apple para enviar um recado de confiança: assim como Cook expandiu o legado de Steve Jobs, Abel teria a capacidade de elevar a Berkshire a novos patamares.

O investimento original de US$ 35 bilhões na fabricante do iPhone, que hoje vale cerca de US$ 180 bilhões, serviu de prova de que sucessores podem superar seus fundadores.

A dinâmica do evento também incorporou novas tecnologias. A primeira pergunta da plateia foi formulada por uma versão de Buffett gerada por inteligência artificial, questionando a solidez da empresa para um acionista de 95 anos.

Abel aproveitou o gancho para reiterar os pilares de paciência, cultura e solidez operacional, tentando tranquilizar os investidores que ainda vêem a transição com desconfiança.

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No âmbito das estratégias globais, os gestores discutiram como aplicar os conceitos da Berkshire no Brasil. Gonzaga destacou que a volatilidade brasileira exige um rigor ainda maior na seleção de ativos e alocação conservadora.

Ele traçou um paralelo entre a aquisição da General Re pela Berkshire e a fusão entre Rede D’Or (RDOR3) e SulAmérica (SULA11) no Brasil como exemplos de uso inteligente de ações valorizadas para fortalecer o balanço e reduzir riscos.

Cesar Paiva reforçou que, apesar da mudança de escala do evento em Omaha, a essência do Value Investing permanece válida.

Para o gestor da Real Investor, a disciplina de comprar boas empresas a preços justos e evitar alavancagem excessiva continua sendo o diferencial para o sucesso de longo prazo, independentemente de quem esteja no palco.

A expectativa agora, avaliam, é observar se a nova gestão conseguirá manter a rentabilidade histórica sem o carisma magnético de seu criador.

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