BradSaúde aposta em ecossistema integrado para destravar crescimento

Combinando planos de saúde, odontologia e ativos hospitalares, a BradSaúde (SAUD3) estreia na B3 defendendo um modelo integrado como motor de crescimento e eficiência operacional.
A tese por trás da BradSaúde começa a ficar clara já na largada: mais do que reunir ativos, a companhia quer operar como um ecossistema integrado, capaz de coordenar diferentes frentes do cuidado em saúde e capturar ganhos de eficiência ao longo da cadeia.
Na prática, a estratégia passa por conectar planos de saúde, odontologia e hospitais, com maior coordenação comercial e operacional — especialmente em segmentos ainda pouco penetrados, como o de pequenas e médias empresas (PMEs).
“A estratégia é de crescimento, de expansão de rentabilidade e de criação de novos produtos cada vez mais integrados”, afirmou o CEO Carlos Marinelli.
Segundo Marinelli, esse modelo deve permitir maior captura de valor ao longo do tempo, tanto via expansão da base quanto pela melhora de margens.
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Foco em PMEs e distribuição como vetor de expansão
Dentro dessa estratégia, o segmento de PMEs aparece como uma das principais avenidas de crescimento da companhia.
“O Brasil é movido pelas pequenas e médias empresas. Esse é um segmento que tem crescido tanto na Odontoprev quanto na Bradesco Saúde intensamente e é, sim, uma grande fonte nossa de crescimento”, disse Marinelli.
A companhia também reforça o papel dos corretores como peça central na execução dessa estratégia.
“Os corretores são nossos grandes parceiros e continuarão sendo fundamentais para o sucesso da BradSaúde”, afirmou o executivo.
BradSaúde estreia na B3 com lucro de R$ 1,3 bilhão
A BradSaúde (SAUD3), formada pela reorganização dos ativos de saúde do Bradesco e da Odontoprev, estreou nesta terça-feira (5) na B3 já com resultados robustos.
No primeiro trimestre de 2026, a companhia reportou lucro líquido consolidado de R$ 1,3 bilhão, receitas de R$ 13,4 bilhões e retorno sobre patrimônio (ROAE) de 24,8%.
Ao tocar o sino de abertura do pregão, Marinelli classificou o momento como simbólico.
“Marcando o início da história da BradSaúde na B3. O ticker SAUD3 já existe oficialmente e está dentro do mercado acionário”, afirmou.
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Lucro ainda concentrado na Bradesco Saúde
Apesar da proposta de integração, a estrutura atual de resultados ainda é bastante concentrada.
Do lucro líquido consolidado, 83% vieram da Bradesco Saúde, principal geradora de resultado do grupo. A Odontoprev respondeu por 11%, enquanto a Atlântica Hospitais e Participações contribuiu com 1%. Os demais 5% ficaram distribuídos em outras operações.
A base total de beneficiários chegou a 13,4 milhões ao fim de março, após adição líquida de 193 mil vidas no trimestre e 710 mil em 12 meses.
Separadamente, a Bradesco Saúde manteve desempenho forte no período.
Os prêmios emitidos somaram R$ 13,2 bilhões no trimestre, alta de 8,4% na comparação anual. O lucro líquido chegou a R$ 1,2 bilhão, avanço de 33,5% frente ao mesmo período de 2025.
A base de clientes da Bradesco Saúde se aproximou de 4 milhões de beneficiários, com mais de 50 mil adições líquidas no trimestre, sendo mais de 3 milhões em planos empresariais.
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Odontoprev encerra ciclo como empresa listada
A Odontoprev, que deixa de ter negociação independente após mais de 20 anos na bolsa, encerrou março com 9,4 milhões de beneficiários e cerca de 504 mil novas vidas em 12 meses.
A receita acumulada em 12 meses atingiu R$ 2,4 bilhões, com margem líquida superior a 20%.
Já o lucro líquido trimestral recuou 9,6%, de R$ 167 milhões para R$ 151 milhões, impactado por fatores extraordinários.
“Tivemos contratação de assessores financeiros e jurídicos ligados ao projeto BradSaúde, além de menor receita financeira no período”, explicou José Pacheco, diretor de RI.
Sinistralidade recua, mas companhia mantém cautela
Um dos principais pontos de atenção do setor, a sinistralidade (taxa de uso do plano de saúde), apresentou melhora no trimestre — mas sem mudança de tom por parte da gestão.
Na operação de saúde, o índice ficou em 79,1%, abaixo dos 86,1% registrados no quarto trimestre de 2025. No segmento odontológico, recuou de 42,6% para 32,7%.
Ainda assim, Marinelli evitou indicar tendência estrutural de queda.
“O primeiro trimestre é historicamente mais fraco em termos de sinistro. Temos que olhar 2026 com muita cautela”, afirmou.
Segundo ele, já há sinais de aceleração da frequência de uso e aumento dos custos médios desde o segundo semestre de 2025.
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Inflação médica segue como risco relevante
A pressão de custos segue no radar da companhia, especialmente em um ambiente de maior utilização dos serviços.
“Existe ainda pressão com relação à inflação médica, principalmente por conta da questão das frequências”, disse Marinelli.
O executivo afirmou que os reajustes continuarão sendo aplicados conforme regras regulatórias e desempenho de cada contrato.
Hospitalar ainda pequeno, mas com potencial de crescimento
Hoje com participação de apenas 1% no lucro consolidado, a Atlântica Hospitais e Participações é vista como uma das principais alavancas futuras.
A operação reúne cerca de 4 mil leitos e possui R$ 4,8 bilhões em investimentos comprometidos, dos quais R$ 2,8 bilhões já foram realizados.
“A ideia é que ela contribua de forma mais significativa nos próximos trimestres e pelos próximos anos”, afirmou Marinelli.
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