Chefe da Coca-Cola diz que atingir o topo é como Round 6: “questão de sobrevivência”

O caminho até o alto escalão pode parecer longo, incerto — e, às vezes, brutalmente competitivo. Basta perguntar ao presidente do conselho executivo da Coca-Cola, James Quincey, que diz que sua ascensão ao topo teve menos a ver com planejamento cuidadoso e mais com resistência.
“No fim, como eu cheguei onde estou?”, disse Quincey em uma entrevista recente na London Business School. “Você pode argumentar que é uma questão de sobrevivência. Eu simplesmente tirei cara toda vez que a moeda foi lançada ao longo de 20 rodadas de empregos, e por isso sou o único que sobrou. “É mais ou menos como Round 6.”
Leia também: “Odeio trabalhar 5 dias”, diz CEO do Zoom, que prevê semana de 3 dias até 2031
A comparação com a popular série distópica da Netflix, em que participantes sobrevivem rodada após rodada de jogos eliminatórios de alto risco, pode ser feita em tom de brincadeira. Mas o ponto de Quincey é sério: o sucesso muitas vezes se resume a enfrentar o desafio que está à sua frente, repetidas vezes, até que os outros fiquem pelo caminho.
Nascido no Reino Unido, Quincey entrou na Coca-Cola em 1996 sem um plano rígido para se tornar CEO. Em vez disso, buscou funções que o desafiassem — passando por cargos de liderança na América Latina, incluindo o de presidente das divisões da empresa na América do Sul e no México, antes de assumir o comando como CEO em 2017 e como presidente do conselho executivo em 2019.
No fim do mês passado, ele deixou o cargo de CEO para se concentrar apenas na presidência do conselho.
Executivo diz que equilíbrio entre vida e trabalho é ideia “estranha”
No fim das contas, disse Quincey, o segredo de qualquer sucesso não é a perfeição — é a persistência.
“Ninguém chega lá sendo apenas figurante. Você vai precisar ser conhecido por alguma coisa em cada cargo”, disse Quincey, enfatizando que se destacar exige assumir riscos — e aceitar que nem toda aposta dará certo.
Essa mentalidade também vai além do ambiente de trabalho. Quincey é cético em relação à ideia de equilíbrio entre vida e trabalho, chamando-a de uma forma enganosa de pensar sobre carreiras.
“Essa história de equilíbrio entre vida e trabalho é meio estranha, se você me perguntar, porque, da última vez que conferi, o trabalho faz parte da vida, não é algo separado”, disse ele. “Você precisa escolher como quer investir sua vida… e essa combinação pode mudar ao longo do tempo. Mas a escolha é sempre sua.”
Essas decisões, acrescentou, se acumulam. A forma como você usa seu tempo hoje pode moldar as oportunidades disponíveis décadas à frente.
Sua visão surge em um momento em que trabalhadores, diante de um mercado profissional volátil, estão repensando prioridades de carreira.
O equilíbrio entre vida e trabalho agora é o principal fator para talentos ao considerar empregos, segundo um relatório Workmonitor de 2025 da Randstad.
Cerca de 83% dos entrevistados apontam isso como a consideração mais importante, marcando a primeira vez que o equilíbrio entre vida e trabalho supera o salário nos 22 anos de história da pesquisa.
A Geração Z, em particular, cujos cargos de entrada estão diminuindo, tem sentido mais fortemente a pressão por melhores condições de trabalho.
Uma pesquisa recente da KPMG com estagiários constatou que trabalhadores da Geração Z abririam mão, em média, de US$ 5.000 em salário anual por um melhor equilíbrio entre vida e trabalho.
A Fortune procurou a Coca-Cola para obter mais comentários.
Quincey começa as manhãs com calma para focar melhor
Mesmo no topo da carreira, ser estratégico na definição de prioridades se torna mais importante do que nunca, disse o executivo de 61 anos — e sua própria abordagem é notavelmente pouco convencional.
“Escolher no que focar e manter poucas prioridades se torna ainda mais valioso”, disse ele aos alunos da London Business School. “Eu fico divagando.”
“Eu acordo bem devagar de manhã, tomo bastante café, tomo café da manhã e não encho meu dia com reuniões”, acrescentou.
Embora esse nível de flexibilidade possa não ser realista para todos, seu conselho para jovens que querem impulsionar suas carreiras é direto: “Faça algo que te tire da cama pela manhã. Não há trabalho mais difícil do que aquele que você não quer fazer.”
2026 Fortune Media IP Limited
The post Chefe da Coca-Cola diz que atingir o topo é como Round 6: “questão de sobrevivência” appeared first on InfoMoney.