Convite para Ciro disputar Planalto anima PSDB nacional, mas gera questões no Ceará

Motivo de animação para a cúpula nacional da legenda, o convite do PSDB ao ex-ministro Ciro Gomes para que ele dispute o Planalto na eleição deste ano pegou de surpresa dirigentes da sigla no Ceará. A possibilidade da candidatura à Presidência coloca em xeque a costura feita pela legenda no estado em torno da figura de Ciro como postulante ao governo estadual. Aliados do ex-governador afirmam estar confiantes de que o ex-governador permanecerá como o nome do partido no pleito estadual.
O convite público foi realizado pelo presidente da sigla, Aécio Neves, durante a reunião nacional do PSDB, realizada na Câmara dos Deputados, na segunda-feira. O convite surgiu na véspera do encontro. Na quarta-feira, Ciro afirmou que “está cada dia mais inclinado” a ser candidato ao governo, mas definiu como “honrosa” a iniciativa do partido de convidá-lo para disputar o Planalto.
Aliados de Ciro afirmam que o foco do ex-governador é a eleição do Ceará, mas “ainda há muito a acontecer até julho”, limite de quando o martelo deve ser batido pelo partido. A expectativa, antes do convite à disputa pela Presidência, era a de que Ciro formalizasse a chapa ao Executivo cearense até a primeira semana de maio.
Impacto estadual
Caso Ciro desista da disputa no Ceará, o ex-prefeito de Fortaleza e atual cotado para vice Roberto Cláudio (União Brasil) é enxergado no círculo do ex-governador como provável cabeça de chapa. Outra possibilidade na mesa é que o ex-deputado federal Capitão Wagner (União Brasil), atual pré-candidato ao Senado, assuma a vaga de postulante ao governo estadual.
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Capitão Wagner lidera a federação União-Progressistas no estado, uma das frentes que integra o bloco de oposição ao governo do petista Elmano de Freitas (PT). Ciro também articula o apoio do PL à sua candidatura ao governo, com o deputado estadual Alcides Fernandes cotado para uma vaga ao Senado na chapa. A escolha de Ciro por disputar o Planalto seria motivo de entrave para a formulação de acordo entre as duas siglas, avaliam aliados do ex-ministro.
Candidato a presidente em quatro eleições, Ciro afirma que uma decisão sobre qual cadeira irá disputar na eleição precisa ser amadurecida, especialmente com sua base política no Ceará. Representantes do PSDB nacional reconhecem que Ciro tem atualmente uma “situação cômoda” no estado, e se encontra em um “dilema” uma vez que lidera as pesquisas de intenção de voto.
— Ciro conhece bem as demandas do país e pode ser um nome na eleição contra a polarização. O convite foi motivo de entusiasmo no partido. Ao mesmo tempo que tem uma situação favorável no Ceará, esse convite pode levar Ciro a realizar um sonho: ser presidente — afirma Marconi Perillo, ex-presidente da sigla.
A rodada mais recente da pesquisa Datafolha, publicada no mês passado, mostrou Ciro com 47% das intenções de voto em um eventual primeiro turno no Ceará. O petista Elmano de Freitas, que disputa reeleição, marca 32%.
‘Muito constrangimento’
A candidatura de Ciro à Presidência também foi defendida pelo irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Em entrevista ao GLOBO, Cid disse ser “muito constrangimento ter um irmão e não votar nele”. A declaração ocorre diante do racha na família Ferreira Gomes, que pode posicionar o parlamentar e o ex-ministro em chapas opostas na eleição do Ceará.
Enquanto Cid é aliado de Elmano e articula a presença do PSB na chapa majoritária petista, Ciro é o principal nome da oposição na disputa pelo governo estadual. O senador disse que apoiaria o irmão caso ele fosse candidato à Presidência e que chancelará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição apenas “se não houver outra alternativa”.
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