Efeitos da guerra ainda afetarão zona do euro por um bom tempo, diz membro do BCE

O dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do BC da Alemanha (Bundesbank), Joachim Nagel, afirmou que as consequências econômicas decorrentes da guerra no Oriente Médio continuarão a afetar a zona do euro “por um bom tempo”, em discurso preparado para um evento nesta segunda-feira, 4. De acordo com ele, a alta nos preços de energia tem um efeito duplamente negativo: esfria a economia e alimenta a inflação.
“Sentimos os efeitos do aumento dos preços do petróleo bruto diretamente na inflação ao consumidor. É por isso que a taxa na zona do euro disparou: primeiro para 2,6% em março e, segundo estimativas iniciais, para 3% em abril. Esta é a maior taxa de inflação desde setembro de 2023”, destacou ele.
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Para Nagel, a política monetária não pode impedir o aumento abrupto dos preços da energia, mas ela pode influenciar a evolução da inflação a médio prazo. Diante do cenário, o presidente do Bundesbank ressalta que há ainda muitas incertezas, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz e quando os preços do petróleo e do gás voltarão a cair significativamente – e a que nível.
“É evidente: quanto mais tempo durar o conflito, maior será o risco de a inflação permanecer elevada caso a política monetária não intervenha”, explicou ele, ao mencionar que são observados fatores cruciais para a evolução futura da inflação.
Decisão do BCE
Em repercussão à decisão de manutenção dos juros pelo BCE na semana passada, Nagel afirmou que é “prudente” aguardar e observar para obter maior clareza e reiterou que o conselho da instituição chefiada por Christine Lagarde está ciente dos riscos para a estabilidade de preços e prontos para agir “a qualquer momento”.
“Na reunião de junho, saberemos mais sobre a evolução da situação no Oriente Médio. Também teremos novas projeções. Se a perspectiva de inflação não melhorar significativamente nessas projeções, isso justificaria um aumento dos juros”, disse, acrescentando que espera redução da incerteza até lá. “Nosso objetivo é claro: queremos que a taxa de inflação retorne a 2% no médio prazo. Em seguida, adequaremos nossa política monetária de acordo”, acrescentou.
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