Executivas abandonam gigantes e impulsionam ascensão das empresas médias

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Executivas abandonam gigantes e impulsionam ascensão das empresas médias

Uma mudança silenciosa começa a ganhar forma no mercado de trabalho global — e ela passa pelo topo da hierarquia. Executivas experientes estão deixando grandes corporações e migrando para empresas de médio porte, em um movimento que combina busca por autonomia, ambiente mais ágil e maior capacidade de influência nas decisões.

Os dados mais recentes reforçam essa tendência. Segundo o relatório Women in Business 2026, da Grant Thornton, entre as mulheres contratadas para cargos de alta liderança em empresas médias nos últimos seis meses, 43,5% vieram de organizações com mais de 500 colaboradores, acima da média histórica de 38,4%. O avanço indica que a migração deixou de ser pontual e passou a configurar um fluxo consistente.

Mais do que mobilidade profissional, o movimento sugere uma reconfiguração do próprio mercado de trabalho — e do papel das empresas médias dentro dele.

Uma mudança guiada por valores — e estratégia

A decisão de trocar grandes estruturas por organizações menores não é aleatória. Ela reflete uma mudança mais ampla nas prioridades das lideranças.

Ainda segundo a Grant Thornton, 91,9% dos executivos consideram as iniciativas de igualdade de gênero ao avaliar uma nova oportunidade de trabalho, sendo que 66,6% tratam esse fator como prioridade.

O dado indica que aspectos antes vistos como complementares — como cultura organizacional, diversidade e ambiente de trabalho — passaram a influenciar diretamente decisões de carreira no alto escalão.

Ao mesmo tempo, quase um quarto das empresas (23%) já relata que candidatos questionam explicitamente políticas de diversidade durante processos seletivos, um salto relevante em relação ao ano anterior.

Na prática, o poder de escolha mudou de lado. E as empresas que conseguem demonstrar compromisso consistente com esses temas ganham vantagem competitiva na disputa por talentos.

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Empresas médias ganham protagonismo

Esse novo comportamento das lideranças encontra terreno fértil nas empresas de médio porte. De acordo com o levantamento, 92,7% dessas companhias já possuem iniciativas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I), e 75,8% afirmam manter compromisso ativo com a igualdade de gênero. Mais do que isso, 36,8% planejam implementar novas ações nessa área.

O contraste com grandes empresas é relevante. Em um momento em que parte das grandes corporações tem revisado ou flexibilizado iniciativas de diversidade, empresas médias passam a ocupar esse espaço — não por posicionamento institucional, mas por pragmatismo.

A lógica é direta: diversidade deixou de ser apenas discurso e passou a ser vetor de competitividade.

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Diversidade como motor de desempenho

Os números ajudam a explicar por que essas empresas têm atraído lideranças experientes. Entre aquelas que mantêm ou ampliam políticas de igualdade de gênero, 73% registraram crescimento de receita superior a 5%, 56,2% ampliaram o quadro de funcionários acima desse patamar e 48,8% expandiram suas exportações mais de 5%.

Além disso, 22,1% relatam aumento de inovação, 19,5% melhoria na qualidade das decisões e 18,8% avanço no desempenho financeiro.

Os dados indicam que empresas com políticas estruturadas de diversidade tendem a apresentar melhores resultados — não apenas na atração de talentos, mas também em desempenho e capacidade de adaptação.

Esse contexto ajuda a entender por que executivas estão dispostas a abrir mão da escala das grandes corporações em troca de maior capacidade de influência e participação estratégica.

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Um mercado mais dinâmico — e mais exigente

A migração também ocorre em paralelo a mudanças estruturais no perfil do trabalho.

Em São Paulo, por exemplo, a proporção de profissionais com ensino superior completo subiu de 21% em 2015 para quase 27% em 2025, enquanto a população que se declara negra aumentou de cerca de 34% para quase 44%, segundo levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho da Prefeitura de São Paulo, em parceria com o Dieese.

O mercado se tornou mais qualificado e mais diverso — e, ao mesmo tempo, mais competitivo.

Essa transformação também vem acompanhada de novos desafios. Dados do relatório “Panorama da Saúde Mental nas Empresas Brasileiras”, da Gupy, indicam que 40% dos trabalhadores já apresentam algum nível de risco relacionado à saúde mental, chegando a até 70% em setores como tecnologia e educação.

Nesse cenário, a escolha por ambientes mais flexíveis, com maior autonomia e cultura organizacional mais alinhada ganha peso.

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Entre crescimento e transformação

A ascensão das empresas médias também dialoga com mudanças mais amplas no mundo corporativo.

Estudo da EY-Parthenon aponta que 62% das organizações estão em processo ativo de transformação, enquanto 30% dos executivos brasileiros colocam tecnologias como inteligência artificial no centro da estratégia.

O avanço tecnológico tem acelerado decisões, encurtado ciclos e exigido maior capacidade de adaptação — fatores que favorecem estruturas mais enxutas e ágeis.

Nesse contexto, empresas médias passam a oferecer um ambiente mais propício para experimentação, tomada de decisão e impacto direto, especialmente para lideranças seniores.

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Igualdade, mesmo, só em 2051

Apesar dos sinais positivos, o avanço das mulheres na liderança ainda enfrenta limites.

Globalmente, mulheres ocupam 32,9% dos cargos de alta gestão, uma queda de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. No ritmo atual, a paridade só deve ser alcançada por volta de 2051.

O dado reforça que, embora o movimento de migração represente avanço, ele ocorre em um cenário ainda marcado por desigualdades estruturais.

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Uma mudança que vai além da carreira

No fim das contas, o deslocamento de executivas para empresas médias não é apenas uma escolha individual. É um sinal de transformação mais profunda.

De um lado, empresas médias ganham força como destino estratégico para talentos. De outro, lideranças passam a priorizar ambientes onde possam exercer influência real, participar das decisões e atuar em estruturas menos engessadas.

O resultado é um redesenho silencioso do mercado de trabalho — em que tamanho deixa de ser sinônimo de poder. E, cada vez mais, protagonismo vale mais do que escala.

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