Goldman Sachs vê Ânima melhor posicionada no setor de educação para temporada do 1T26

Com a proximidade do início da temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26), o Goldman Sachs espera que a Ânima Educação (ANIM3) apresente desempenho ligeiramente superior às demais companhias educacionais, refletindo um ciclo de captação mais saudável no início de 2026, com menor exposição ao ensino digital (DL) e, portanto, às mudanças regulatórias recentes.
O banco projeta crescimento de 5,6% na receita líquida no 1T26, apoiado pelo bom desempenho das unidades principais e da Inspirali. A margem Ebitda ajustada deve recuar 0,9 ponto percentual na comparação anual, refletindo maior exposição de cursos de medicina ao FIES e aumento de despesas com marketing.
O Goldman Sachs manteve recomendação equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 5,50.
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Por outro lado, o Goldman vê uma dinâmica de rentabilidade mais fraca para Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3), o que pode pressionar a percepção dos investidores no curto prazo. Para a Afya (AFYA), a expectativa também é de pressão nas margens na comparação anual, em linha com o guidance para 2026.
No caso da Cogna, o banco projeta crescimento de 18% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente no 1T26, para R$ 656 milhões, impulsionado principalmente pelo reconhecimento de receitas do PNLD que haviam sido adiadas do 4T25, compensando margens mais fracas.
Para 2026, o Goldman revisou para baixo em 3% sua estimativa de Ebitda ajustado, para R$ 2,54 bilhões, devido à maturação dos cursos de saúde da Kroton, que elevam custos com preceptoria e professores.
O banco manteve recomendação de compra para Cogna, com preço-alvo de R$ 4,50.
Para a Yduqs, a projeção é de alta de 5,2% na receita líquida no 1T26, com o crescimento nos segmentos premium e semipresencial sendo parcialmente compensado por menor captação no ensino digital. O banco estima queda de 6% na receita do DL, diante de uma retração de cerca de 25% nas matrículas, enquanto o ensino presencial deve crescer 9%, com avanço de aproximadamente 50% no semipresencial.
A margem Ebitda deve recuar 0,5 ponto percentual, para 34,1%, pressionada pela maior exposição de cursos de medicina ao FIES e pela baixa adesão ao programa DIS.
O Goldman Sachs reiterou classificação neutra e preço-alvo de R$ 14.
No caso da Afya, o banco projeta Ebitda ajustado de R$ 512 milhões no 1T26, alta de 4,1% na base anual, com a boa captação na graduação sendo parcialmente compensada por pressão de margens, ligada à maturação das áreas de educação continuada e prática médica.
Para 2026, o Ebitda foi revisado para baixo em 4%, levando a um corte no preço-alvo de US$ 16 para US$ 15 por ação, com manutenção da recomendação de venda.
Tendências
O JPMorgan aponta que, no 1º semestre de 2026, as mensalidades para novos alunos seguem fortes no ensino presencial, com alta acima de 5%, enquanto o modelo híbrido apresenta volatilidade e o ensino online continua pressionado, com quedas entre 0% e -4%, segundo dados do QueroBolsa.
O índice calculado a partir do QueroBolsa, que reúne cerca de 46 mil ofertas comparáveis (marca, cidade, curso e modalidade), reforça essa tendência. As mensalidades presenciais cresceram acima de 5% entre janeiro e março, mantendo trajetória positiva. No híbrido, o comportamento foi irregular: alta de 1,2% em janeiro, queda de 3,6% em fevereiro e avanço de 5,7% em março. No online, o cenário foi mais fraco, com leve alta de 0,5% em janeiro, seguida por quedas de 2,5% e 3,5% nos meses seguintes.
Na análise específica da Ânima, com base em cerca de 8 mil ofertas do site da companhia, o banco identificou aumento nas mensalidades de cursos presenciais e híbridos, enquanto o online segue em queda. No presencial, a alta mediana foi de 2,7% em janeiro e 5,4% em março. No híbrido, houve crescimento de 4,5% em janeiro e 3,8% em março. Já no online, as mensalidades recuaram 1,7% e 3,3%, respectivamente. O JPMorgan avalia esse resultado de forma positiva, dado o menor peso do ensino digital na operação da companhia.
Para a Yduqs, a análise de cerca de 65 mil ofertas indica tendência diferente. As mensalidades presenciais registraram queda mediana de 2,0% em janeiro, enquanto os segmentos híbrido e online ficaram estáveis. O banco ressalta que os dados da companhia são menos completos, por considerarem apenas janeiro.
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