Governo aprova recontratação de usina a carvão da J&F até 2040

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Governo aprova recontratação de usina a carvão da J&F até 2040

SÃO PAULO, 16 Abr (Reuters) – O Ministério ⁠de Minas e Energia publicou nesta quinta-feira uma autorização ⁠para recontratação da usina termelétrica a carvão de Candiota (RS), do grupo J&F, ‌até 2040, cumprindo uma determinação legal do ano passado que foi amplamente criticada por ambientalistas e parte do setor elétrico, mas que atende à comunidade gaúcha dependente da ‌mineração de carvão.

Pela portaria publicada no Diário Oficial da União, ficou aprovada a minuta do novo contrato da usina, que foi colocada em consulta pública e prevê uma receita fixa para o empreendimento de R$859,8 milhões por ano, ou R$540,27 por megawatt-hora (MWh).

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Com 350 megawatts (MW) de potência, a usina a carvão localizada no município gaúcho de Candiota ganha ⁠um ‌novo contrato válido até 31 de dezembro de 2040. Isso era visto pela comunidade ⁠local, dependente do carvão, como essencial para garantir sua subsistência, depois de um período de incertezas que se seguiu ao encerramento do contrato anterior da usina.

O empreendimento foi recontratado como energia de reserva, de forma que seus custos serão arcados pelos consumidores via encargo na conta de luz.

O novo contrato para a ​termelétrica de Candiota segue uma determinação em lei aprovada no ano passado para reformar vários aspectos dos setores de energia e gás.

O dispositivo legal específico para ​as usinas a carvão mineral nacional já embutiu os parâmetros para a recontratação, como bases para cálculo das receitas, e foi criticado por especialistas do setor elétrico e ambientalistas, que não viam necessidade de contratar energia de fontes mais poluentes em meio à sobreoferta no sistema nacional e aos esforços do Brasil para redução das ‌emissões de carbono.

O contrato de Candiota considerou uma inflexibilidade — ​isto é, uma exigência de que a usina permaneça operando para o sistema elétrico — de 181,669 MWmédios. O valor foi calculado com base no consumo de carvão previsto no compromisso anterior da usina, que ⁠estabelecia uma compra mínima de 1.200.000 ​toneladas/ano.

Procurada, a J&F não ​comentou imediatamente.

A recontratação de Candiota, mesmo após a aprovação da lei, seguiu sendo alvo de críticas.

Em consulta pública ⁠sobre o tema, o Conselho Nacional de ​Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), que representa os consumidores do mercado regulado das distribuidoras, disse que contratar a usina ‘sem leilão é um total contrassenso, não é eficiente, nem transparente, para valores de ​contratação que já estão muito acima das médias das demais contratações de energia das distribuidoras’.

O Conacen afirmou ainda que, com base na receita anual ​estipulada, o empreendimento receberá R$12,9 ⁠bilhões nos 15 anos de contrato, ‘valores excessivos para uma contratação que se mostra muito mais cara que os ⁠valores médios de CCEAR (contratos regulados) e desnecessária em função de sobra de energia’.

A manutenção da usina em funcionamento é questionada ainda por grupos ambientalistas, devido a impactos climáticos da queima do carvão. O Instituto Arayara tenta na Justiça impedir a renovação da licença do empreendimento, em análise pelo Ibama, alegando também ‘danos graves à saúde pública’.

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