JPMorgan vê melhor risco-retorno em Suzano, corta Klabin para neutro e KLBN11 cai

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JPMorgan vê melhor risco-retorno em Suzano, corta Klabin para neutro e KLBN11 cai

Com setor de papel e celulose começando a enfrentar ventos contrários diante da piora do sentimento global e o aumento das incertezas, o JPMorgan rebaixou a recomendação de Klabin (KLBN11) para neutra, com preço-alvo pasando de R$ 26 para R$ 22 por ação, ainda implicando potencial de alta de 18%. Às 10h30, as units da Klabin recuavam 2,51%, a R$ 18,23.

Embora o banco ainda espere um desempenho operacional sólido e equilibrado, avalia que esse cenário já está refletido no preço atual das ações, sem gatilhos evidentes para uma performance superior.

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Por outro lado, a Suzano segue como principal escolha do banco, com potencial de valorização de 56%, negociando a 5,2 vezes EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA, ou lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 e yield de fluxo de caixa livre de 12,8%. O preço-alvo foi reduzido de R$ 81 para R$ 74 por ação, refletindo revisões cambiais.

Apesar do suporte vindo da disciplina de oferta e da inflação de custos, riscos geopolíticos — especialmente o conflito no Oriente Médio — trouxeram cautela ao mercado, reduzindo a disposição dos compradores em absorver novos aumentos.

O JPMorgan espera que os preços da fibra curta permaneçam sustentados no curto prazo, mas a fraqueza na demanda por papel e a compressão dos spreads de fibra longa devem limitar o potencial de alta. Nesse contexto, a Suzano apresenta a melhor relação risco-retorno, enquanto a Klabin perde atratividade com a pressão na fibra longa e ausência de catalisadores.

Conflito no Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio alterou abruptamente o sentimento e a dinâmica de preços. Antes, o setor tinha uma perspectiva construtiva para o primeiro semestre de 2026, apoiada por fatores como paradas para manutenção, pouca adição de capacidade, estoques enxutos e custos crescentes de madeira. No entanto, a escalada das tensões elevou a incerteza, deslocando o foco das negociações para riscos de frete e insumos, e tornando os compradores mais resistentes a reajustes relevantes. Na China, houve maior cautela, com aceitação parcial de aumentos, mas em níveis menores do que o desejado pelos produtores.

A fraqueza da demanda por papel e a sazonalidade negativa do verão devem limitar o poder de precificação, apesar do suporte de custos. A recuperação recente ficou concentrada na fibra curta e já perde fôlego com a redução dos diferenciais e recomposição de estoques, enquanto a fibra longa segue pressionada por estoques elevados e mercado futuro fraco. O conflito também afeta a confiança e o consumo, o que pode reduzir a demanda por papel e dificultar o repasse de custos, pressionando margens.

Para 2027, a visão do JPMorgan segue positiva, com expectativa de preços médios em US$ 600 por tonelada, sustentados por um ambiente de oferta favorável e menor adição de capacidade, especialmente com o adiamento do projeto Oki 2.0. Ainda assim, o banco vê maior incerteza à frente, com novas entradas de oferta previstas para 2028 e mudanças estruturais na China, que deve aumentar a substituição por produção doméstica, limitando o crescimento das importações.

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