MRV (MRVE3): CEO projeta margem maior em 2026 apesar de pressão de custos

A construtora MRV (MRVE3) deve fechar 2026 com margem superior à registrada em 2025, mesmo diante do repique inflacionário causado pela alta dos combustíveis após o conflito no Oriente Médio. A avaliação é de Rafael Menin, presidente da companhia, que aponta ganhos de produtividade, terrenos comprados a preços mais baixos e maior padronização dos produtos como os pilares dessa recuperação.
Segundo o executivo, o setor vive um momento em que o principal limitador para o crescimento já não é a demanda por imóveis populares, e sim o volume de recursos disponíveis para financiamento.
Com a Selic acima de 14% ao ano, o programa Minha Casa Minha Vida segue como motor do mercado por contar com uma fonte própria de dinheiro: o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que permite à Caixa Econômica Federal emprestar a juros bem menores do que os praticados no mercado.
Menin participou do programa Expert Talks – Na Mesa com CEOs, apresentado por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, ao lado de Ygor Altero, responsável pela cobertura de imobiliário no Research da casa.
Na conversa, o executivo detalhou o que chamou de “ciclo de excelência” da MRV, comentou os desafios de mão de obra na construção civil e contou a história da operação americana da empresa.
“A margem do que eu vou vender no ano de 2026 será melhor do que foi no ano de 2025, mesmo nesse novo cenário pós-guerra do Irã”, afirmou Menin. O executivo reconheceu que petróleo e gás subiram de forma abrupta nos últimos 60 dias e que isso deve impactar os preços ao longo de 2026, mas defendeu que a equação da empresa — formada por terreno, projeto, execução e preço — segue equilibrada.
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Fluxo estrangeiro segue sendo o fiel da balança
Trajetória familiar e modelo de gestão compartilhada
Engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais, Menin entrou na MRV em 1999, quando começou a faculdade. Filho do fundador Rubens Menin, ele vem de uma família de engenheiros — sua avó foi a segunda mulher formada em engenharia em Minas Gerais, em 1945. Passou por todos os cargos da operação, de estagiário a presidente, posto que ocupa desde 2014.
A MRV é dirigida em conjunto por Rafael e seu primo Eduardo Fischer, em um arranjo de copresidência pouco comum no mercado brasileiro. Os dois assumiram juntos após uma mudança da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que proibiu o acúmulo dos cargos de presidente-executivo e presidente do conselho — função que passou a ser exercida pelo fundador Rubens Menin.
“A gente brinca assim: um bate escanteio, o outro está na área para marcar o gol”, comparou o executivo, ao explicar a divisão de tarefas entre os dois. O modelo, segundo ele, permite acompanhar de perto uma operação espalhada por 80 cidades brasileiras, distribuídas em 28 núcleos de atuação.
Menin afirma manter rotina semanal de visitas a obras, terrenos e plantões de venda. Toda semana, ele percorre de quatro a cinco cidades acompanhado da equipe de diretores e vice-presidentes. “Toda semana eu ponho minha calça jeans, uma blusa polo, uma botinha de obra, e juntamente com o meu time, a gente vai para uma van”, contou.
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Minha Casa Minha Vida virou política de Estado
A MRV abriu capital em 2007, em um momento em que o Brasil produzia cerca de 100 mil apartamentos por ano. Com a criação do Minha Casa Minha Vida, somada a mudanças regulatórias como a Lei da Alienação Fiduciária, o setor mudou de patamar. Hoje são produzidas cerca de 500 mil novas moradias por ano dentro do programa, de acordo com o presidente da companhia.
Para Menin, o Minha Casa Minha Vida deixou de ser política de governo para se tornar política de Estado. Ele argumenta que o imóvel popular resolve várias mazelas sociais ao mesmo tempo, garantindo saneamento, segurança, energia formal e conectividade para as famílias atendidas. O executivo também destacou que o programa não usa dinheiro do Orçamento da União e gera arrecadação ao longo de toda a cadeia produtiva.
Outro fator que tem ampliado a demanda, segundo o presidente da MRV, são as mudanças nos planos diretores das grandes capitais. São Paulo, Belo Horizonte, Recife e cidades do Nordeste passaram a permitir habitação popular em regiões mais centrais, combatendo o fenômeno em que famílias de renda mais baixa eram empurradas para áreas distantes.
“Imagina São Paulo. Essas quase 100 mil unidades por ano que são vendidas em São Paulo, vezes três, ou seja, quase 300 mil paulistanos por ano estão morando em regiões mais centrais. Em 10 anos, 3 milhões de paulistanos”, calculou. Para o executivo, esse movimento representa o maior motor de crescimento da demanda no setor.
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