Mudança de controle na Braskem anima menos do que parece, dizem analistas

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Mudança de controle na Braskem anima menos do que parece, dizem analistas

A assinatura do contrato de venda do controle da Braskem (BRKM5) pela Novonor ao fundo Shine I FIP, assessorado pela IG4 Capital, encerra um impasse societário de anos — mas analistas de grandes bancos avaliam que a mudança de controle, por si só, oferece potencial limitado de valorização para os acionistas minoritários e não elimina os riscos que pesam sobre a companhia.

Para analistas do Citi, “não há grandes potenciais de valorização na tese de mudança de controle”, já que as principais melhorias para a Braskem devem vir de um cenário mais favorável para os spreads petroquímicos e do provável plano de reestruturação a ser anunciado nas próximas semanas ou meses. O banco ainda fez um alerta que deve pesar na avaliação dos investidores: “ainda enxergamos alguns riscos, como a possibilidade de pedido de recuperação judicial.”

Ainda assim, na visão do Citi, a Petrobras provavelmente não exercerá seu direito de preferência sobre as ações, o que, se confirmado, desobstruiria o caminho para o fechamento da transação. A estatal informou ao mercado que sua diretoria-executiva segue avaliando os termos da operação para uma manifestação final.

OPA pouco atrativa para minoritários

O BTG Pactual reforçou que a transação não tem desembolso de caixa, já que o FIP entregará debêntures da NSP Investimentos em contrapartida pelas ações adquiridas da Braskem. A estrutura tem implicações diretas para a oferta pública de aquisição que o comprador será obrigado por lei a registrar junto à CVM.

“Na nossa visão, o preço implícito pago pelos fundos pelas ações da Braskem tende a ser muito baixo, já que o pagamento foi feito por meio de debêntures da NSP, o que implica que uma eventual oferta pública provavelmente não seria atrativa para os acionistas minoritários, trazendo, portanto, implicações limitadas para a tese de investimento”, afirmaram os analistas do BTG.

Para o UBS BB, a conclusão do acordo em si já era amplamente esperada pelo mercado após comunicações recentes das partes. A surpresa ficou por conta da oferta pública para a aquisição de todas as ações remanescentes, prevista no contrato para ser protocolada “na maior brevidade possível”. Mesmo assim, o banco ressalva que “os termos e os preços ainda não estão claros, já que as condições do negócio até agora estavam vinculadas a uma conversão de dívida.”

Recomendação neutra

O JPMorgan também encarou o avanço da reestruturação financeira como positivo, mas manteve a recomendação neutra para BRKM5 e o preço-alvo de R$ 10,50 para dezembro de 2026. O banco ressalta que ainda faltam informações essenciais para uma avaliação completa do impacto para os acionistas, incluindo os termos do novo acordo de acionistas, possíveis alterações no estatuto social e os detalhes definitivos da OPA, cujo registro na CVM é condição suspensiva para o fechamento do negócio.

O JPMorgan aponta que a visibilidade sobre a racionalização da indústria petroquímica global e sobre o processo de reestruturação da companhia ainda é limitada, fatores que sustentam a postura cautelosa do banco.

Dívida bilionária e Braskem Idesa no radar

O pano de fundo financeiro da companhia segue sendo o principal nó a desatar. A Braskem encerrou 2025 com dívida líquida ajustada de US$ 7,5 bilhões, alavancagem de 14,74 vezes o Ebitda e consumo de caixa de R$ 7,3 bilhões no ano, segundo dados do fato relevante. O patrimônio líquido está negativo em R$ 16,5 bilhões.

Adiciona risco à equação a subsidiária mexicana Braskem Idesa, que deixou de pagar juros de seus títulos de dívida em novembro de 2025 e em fevereiro deste ano. A joint venture negocia com detentores de seus bonds uma reorganização do passivo que pode incluir um pedido de Chapter 11, o equivalente americano à recuperação judicial. A dívida bruta da subsidiária soma US$ 2,25 bilhões, contra um caixa de apenas US$ 35 milhões.

IG4 traz histórico de turnarounds

A IG4, gestora cofundada por Paulo Mattos, é conhecida por atuar em empresas em situação de estresse financeiro e reestruturá-las operacionalmente. O caso mais emblemático de seu portfólio é a Iguá Saneamento, reorganizada e transformada em uma das maiores operadoras privadas de água e saneamento do país antes de ser vendida a fundos de pensão canadenses.

O fundo já recrutou profissionais com experiência em processos de turnaround para assumir posições de gestão na Braskem, segundo comunicado divulgado junto ao fato relevante.

Após chegar a subir 5% na sessão, a ação da Braskem avançava cerca de 2% às 15h12 desta segunda.

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