Petrobras: renovação do conselho vem em linha com expectativas e não muda tese

Os acionistas da Petrobras (PETR3; PETR4) elegeram na véspera um novo Conselho de Administração, com quatro alterações nos onze membros. Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, foi eleito tanto membro do Conselho quanto Presidente do Conselho , substituindo Bruno Moretti.
O governo federal também garantiu a eleição de Fabio Henrique Bittes Terra, enquanto Magda Chambriard, José Fernando Coura, Marcelo Weick Pogliese e Renato Campos Galuppo foram reconduzidos aos cargos.
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Os acionistas minoritários exerceram o direito de voto cumulativo, o que resultou na eleição de Marcelo Gasparino para a vaga destinada às ações ordinárias e de Rachel de Oliveira Maia para a vaga das ações preferenciais, substituindo Jerônimo Antunes.
O Bradesco BBI avalia que entre os novos nomeados, Guilherme Mello e Fabio Terra parecem ter os laços mais estreitos com o governo, já que ambos ocupam cargos na equipe econômica federal e, portanto, devem estar mais alinhados aos interesses das autoridades econômicas.
Do outro lado, na visão do BBI, Rachel Maia e Marcelo Gasparino trazem um perfil mais voltado para o mercado, com vasta experiência em governança, assuntos financeiros e em conselhos de administração de grandes empresas brasileiras, incluindo atuação em commodities e empresas estatais, o que deve permitir que contribuam mais diretamente para as discussões sobre governança e finanças.
Para JPMorgan, a eleição dos novos mebros indicam um nível moderado de mudanças e sinalizam continuidade na estrutura de governança da companhia após a assembleia. Na avaliação do banco, o resultado é neutro para a Petrobras.
O JPMorgan manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), com preço-alvo de R$ 64.
Com relação aos proventos, a AGO aprovou a remuneração total de 2025 em R$ 41,2 bilhões (R$ 3,199 por ação), mas o ponto central é que R$ 33,1 bilhões desse montante já haviam sido antecipados e pagos ao longo do período. Ou seja, trata-se de um evento amplamente precificado pelo mercado.
Na prática, o que há de novo é apenas a confirmação do complemento final — ligado ao quarto trimestre de 2025 — além do detalhamento das datas e da forma de pagamento. “Esses fatores ajudam mais a reduzir incertezas do que a alterar a percepção de valor da companhia”, explica a Ativa.
Assim, a leitura da Ativa é de impacto limitado, uma vez que as definições reforçam previsibilidade, mas não devem gerar reação relevante nos preços.
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