Problemas na Justiça: França convoca Elon Musk para depor sobre deepfakes no X

Elon Musk foi convocado pelo Ministério Público de Paris para depor voluntariamente nesta segunda-feira (20), como parte de uma investigação em andamento sobre o X. A ex-CEO da plataforma Linda Yaccarino também recebeu convocação, e outros funcionários da empresa devem ser ouvidos como testemunhas ao longo desta semana, segundo o gabinete do promotor parisiense.
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A convocação é chamada de "audition libre": as autoridades podem questionar a pessoa sem efetuar uma prisão, o interrogado tem o direito de permanecer em silêncio e pode ir embora, mas tudo o que for declarado é registrado oficialmente e pode ter consequências legais, conforme explicou o Ministério Público de Paris à Reuters.
A investigação segue independentemente do comparecimento de Musk.
Por que o X é investigado?
A investigação começou em janeiro de 2025, quando o Ministério Público de Paris recebeu duas queixas relacionadas a suposta manipulação de algoritmos de recomendação. Em julho de 2025, o caso foi repassado à polícia, que concentrou a condução do inquérito na divisão de crimes cibernéticos.
Em novembro de 2025, novas evidências levaram à ampliação das investigações para incluir cumplicidade na posse e distribuição de material de abuso sexual infantil e negação de crimes contra a humanidade.
Em janeiro de 2026, depois que deepfakes sexualmente explícitas geradas pelo chatbot Grok do X circularam publicamente, os investigadores adicionaram mais uma acusação: distribuição de conteúdo sexual com a imagem de uma pessoa sem consentimento.
A lista de crimes sob investigação, segundo a Reuters, inclui ainda extração fraudulenta de dados de sistemas automatizados por grupo organizado, falsificação de sistemas de processamento de dados e operação de plataforma online ilegal por grupo organizado.
O papel do Grok e a queda nos relatórios de proteção infantil
Uma das questões centrais da investigação envolve decisões técnicas tomadas pelo X em 2025.
Os promotores afirmam que a empresa substituiu a ferramenta externa de proteção infantil SAFER por um sistema próprio e, entre junho e outubro de 2025, os relatórios enviados pelo X ao Centro Nacional dos EUA para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) referentes à França caíram 81,4%, segundo dados citados pelo Ministério Público.
Os investigadores também alegam que o Grok foi usado para criar imagens sexualizadas de menores, além de gerar discurso de ódio.
Em fevereiro de 2026, o escritório do X em Paris foi alvo de uma operação policial conduzida em conjunto com a Europol. Na ocasião, a empresa emitiu nota chamando a ação de "encenada" e afirmando que a investigação "distorce o direito francês e coloca em risco a liberdade de expressão".
O X nega qualquer irregularidade.
EUA recusam cooperar com a França
Dias antes da convocação de Musk, o Wall Street Journal informou que o Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) comunicou às autoridades francesas, por carta, que não prestará assistência na investigação.
O DOJ ainda acusou a França de fazer uso indevido do sistema judiciário americano. Musk respondeu a uma publicação sobre o assunto no X com o comentário de que "isso precisa parar".
Não seria a primeira vez que Musk ignora uma convocação judicial. Em setembro de 2024, ele não compareceu a uma audiência determinada pela Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) em uma investigação sobre a aquisição do Twitter.