Wall Street redobra aposta contra o dólar; Morgan Stanley: “caminho está se abrindo”

Os fundos de hedge americanos estão cada vez mais pessimistas com o dólar, à medida que a perspectiva de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e um possível acordo de paz corroem a força que a moeda havia acumulado durante o conflito.
Os investidores ampliaram suas posições baixistas no dólar ao longo deste mês até 10 de abril, de acordo com um modelo proprietário de negociação do Morgan Stanley.
No mercado de opções, os chamados risk reversals sobre o índice do dólar da Bloomberg mostram que o prêmio para se proteger contra uma valorização da moeda americana, em comparação com apostas na queda, estreitou-se neste mês.
“Pelo que estamos vendo, a comunidade de hedge funds está usando as condições voláteis para vender o dólar, aproveitando momentos de alta em vez de comprar nas quedas”, disse Ivan Stamenovic, chefe de operações de câmbio do G10 para a Ásia-Pacífico no Bank of America, em Hong Kong.
A virada do dólar foi rápida. O índice do dólar da Bloomberg avançou 2,4% em março — maior alta mensal desde julho —, impulsionado pela demanda por ativos de refúgio durante o conflito no Oriente Médio. Desde então, o índice recuou 1,8% em abril — incluindo uma sequência de sete pregões de queda até terça-feira —, à medida que EUA e Irã iniciaram discussões para encerrar o conflito de seis semanas. A moeda operava praticamente estável durante a sessão londrina de quarta-feira.
“O caminho para um dólar mais fraco está se abrindo, não se fechando”, escreveram os analistas do Morgan Stanley Molly Nickolin, David Adams e Andrew Watrous em relatório publicado na terça-feira.
“Um cessar-fogo pode ser positivo para moedas de risco no curto prazo, mas acreditamos que a fraqueza do dólar no médio prazo deve se concentrar principalmente frente a pares principais”, como euro, iene e franco suíço, acrescentaram.
O argumento a favor de um dólar mais fraco é compartilhado por um número crescente de analistas da moeda, incluindo Kenneth Rogoff, que afirmou que o dólar “provavelmente ainda está pelo menos 20% sobrevalorizado” e corre o risco de uma correção de longo prazo. Em entrevista à Bloomberg TV, o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional acrescentou que a guerra pode acelerar movimentos da Europa e de outras regiões no sentido de se tornarem “mais independentes do dólar.”
A pressão para vender o dólar começou a se intensificar na semana passada, após o anúncio de um cessar-fogo inicial de duas semanas, que provocou a maior queda diária do índice do dólar da Bloomberg em mais de dois meses.
“A comunidade de hedge funds estava esperando para vender o dólar, e o primeiro cessar-fogo foi o catalisador”, disse Antony Foster, chefe de operações à vista no G10 da Nomura International, em Londres. “Foi um dos dias de venda mais intensos do dólar que já vi em algum tempo, em quase todos os pares do G10, tanto em câmbio à vista quanto em opções”, referindo-se ao pregão de 8 de abril.
As negociações em opções de compra de euro-dólar de € 100 milhões (US$ 118 milhões) ou mais foram 50% maiores do que as de opções de venda na terça-feira, de acordo com dados da Depository Trust & Clearing Corp. Opções de compra se beneficiam da valorização do euro, enquanto as de venda lucram com a alta do dólar.
“No curto prazo, estamos vendo contas de fast money comprando exposição altista no euro por meio de estruturas de opções relativamente baratas”, disse Richard Oliver, chefe global de câmbio à vista do HSBC em Londres. “Uma modesta desdolarização está se tornando um tema de médio prazo cada vez mais relevante.”
Apostas baixistas
A gestora de recursos SGMC Capital, de Singapura, esteve entre as que aproveitaram a valorização do dólar em março para aumentar posições baixistas, de acordo com o CEO Massimiliano Bondurri.
“Temos usado a recente força do dólar para acrescentar gradualmente posições vendidas, pois esperamos que qualquer eventual desescalada enfraqueça a moeda americana”, disse ele.
Há espaço para novas quedas do dólar caso uma trégua mais duradoura seja alcançada, avaliou Bondurri, que identificou entre as posições preferidas a venda do dólar americano contra o dólar australiano, o peso mexicano e o real brasileiro.
Mais prejudicado
Ainda que persista incerteza sobre a duração do conflito entre EUA e Irã, cresce a percepção de que ele pode acabar causando mais danos do que benefícios ao dólar.
“No balanço final, o dólar parece estar saindo prejudicado do conflito”, escreveram analistas do JPMorgan Chase em nota a clientes publicada na semana passada. No médio prazo, a moeda pode “fazer mais uma tentativa em direção às mínimas do ano”, acrescentaram.
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